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Psi.

Joel Reis

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COMPLEXO DE ÉDIPO E FASES PSICOSSEXUAIS- FREUD (Parte 04)

31 de mai. de 2023
7 min de leitura

Atualizado: 22 de jul. de 2023


Fonte dos vídeos: https://www.youtube.com/@didatics

Freud percebeu que, ao longo do desenvolvimento físico e mental, as pessoas passam por fases psíquicas que ele chamou de fases psicossexuais: fase oral, fase anal, fase fálica (na qual se desenvolve o complexo de Édipo), período de latência e fase genital. Nesse vídeo, as diferentes etapas são descritas.

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Desenvolvimento Psicossexual: conceito e fases

Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, há uma regra no que diz respeito a como a personalidade se forma nos seres humanos. Em seus estudos, esse desenvolvimento estaria ligado aos estágios psicossexuais, e como a criança passou por cada um deles. Trata-se da teoria do Desenvolvimento Psicossexual.

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Visto que o sexo é visto como tabu em muitas comunidades, as propostas de Freud foram alvo de polêmicas e controvérsias. Contudo, uma coisa é certa: seus levantamentos abriram portas para muitos estudiosos desenvolverem novas e úteis teorias. Assim, foi e é possível compreender de maneira mais global a psicanálise.

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Nesse contexto, conheça mais sobre desenvolvimento psicossexual, um dos estudos mais marcantes da psicanálise.

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Fases do desenvolvimento psicossexual

Para Freud, essas fases são de extrema importância para o desenvolvimento da personalidade. Passar por todas de maneira natural, respeitando-as, contribuirá para o desenvolvimento de um adulto psicologicamente saudável.

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Fase oral – 0 meses a 1 ano

A primeira fase é representada pela boca, que seria uma zona erógena. Após o nascimento, esta é uma área que recebe muita atenção do bebê. Assim sendo, o ato da sucção e de se alimentar traz prazer para a criança. Por essa razão, ela está constantemente buscando estimulação oral.

Por conta dos cuidados que possui nessa fase, o bebê também descobre nela os sentimentos de conforto e proteção.

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Fase anal do desenvolvimento psicossexual – 1 a 3 anos

A estimulação passa da boca para o ato de controlar necessidades fisiológicas na fase anal. No entanto, apesar de a fase ser chamada assim, o ato de controlar a micção também causa estimulação. Os sentimentos desenvolvidos são de independência, uma vez que a criança vai se tornando capaz de obter controle sobre aspectos corporais que não tinham antes.

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Dessa forma, essa habilidade deve ser estimulada pelos pais, que precisam ter cuidado para não reprimir os erros. Assim, deve-se sempre focar nos acertos, nas vezes em que a criança se saiu bem. Essa é uma maneira positiva de reforçar a experiência.

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Fase fálica do desenvolvimento psicossexual – 3 a 6 anos

Aqui as crianças começam a perceber as diferenças entre homem e mulher. Também é esta a fase em que se observa um outro aspecto da famosa teoria freudiana: o Complexo de Édipo.

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De acordo com Freud, o menino começa a ter uma rivalidade com o pai nesta idade. assim, desejaria substituí-lo na relação com a mãe. Ao mesmo tempo, teme a punição no caso de o pai descobrir que ele está querendo substituí-lo.

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No caso das meninas, Freud diz que há uma inveja do pênis, teoria tida como contraditória. Nessa fase, as meninas se sentiriam ressentidas por não terem um pênis. Assim sendo, sentiriam-se “castradas” e ansiosas por não terem nascido como um homem.

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Fase de latência do desenvolvimento psicossexual – 6 anos até puberdade

O foco desse período não são as zonas erógenas, mas sim o desenvolvimento social, criação de laços e convivência em sociedade. Assim, há uma repressão na energia sexual, que continua a existir, porém deixa de ser um foco.

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Nesse contexto, ficar preso nessa fase pode fazer com que o adulto não saiba se relacionar de forma satisfatória com outras pessoas.

Fase genital do desenvolvimento psicossexual – Da puberdade até o fim da vida

Antes, os interesses eram pessoais. A criança não sentia necessidade de se relacionar sexualmente com outros. Nessa fase, surge a vontade de querer se relacionar sexualmente com outras pessoas.

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Assim, se o individuo passou por todas as fases de forma adequada, chegará na última sabendo ter equilíbrio em diversas áreas da vida.

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O que significa dizer que uma pessoa está fixada em uma fase sexual?

Por vezes, em psicanálise costuma-se associar os problemas, transtornos ou dilemas das pessoas adultas a uma fase do desenvolvimento sexual infantil.

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Por exemplo:

  • um adulto que fuma/bebe em excesso poderia estar fixado na fase oral, por ser uma fase do desenvolvimento em que a criança sente prazer na sucção;

  • um adulto muito controlador ou que tenha dificuldade em desapegar-se estaria fixado na fase anal, por ser uma fase em que a criança descobre que consegue reter as fezes e isso lhe possibilita prazer e descoberta do controle sobre o tempo e o seu corpo.

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Pode ser que ocorra algum evento traumático ou uma sequência de fatos turbulentos em uma fase e isso “fixe” uma pessoa a essa fase. Porém, às vezes é complicado este apontamento, por serem memórias de uma idade que é de difícil recuperação (e de fácil “invenção”), ou por poder ser uma interpretação exagerada do analista.

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Nada impede uma pessoa de demonstrar traços relacionados a mais de uma fase, por exemplo, uma pessoa pode ser fumante compulsiva e ser controladora ao mesmo tempo.

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A forma de compreender a fixação é diferente de um psicanalista para outro. Faz parte o analista buscar este tipo de contraponto, mas, no nosso ver, o mais interessante seria partir dos incômodos e relatos do analisando e evitar dizer para o analisando algo do tipo “você está preso à fase oral do desenvolvimento”. Afinal, isso seria um rótulo um tanto pesado e possivelmente reducionista.

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O analista pode trabalhar esses traços como sendo traços de personalidade e trabalhar isso com o analisando durante as sessões, sem necessariamente buscar um evento único ou uma série de eventos que se liguem a determinada fase.

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Controvérsias

Se hoje falar de sexualidade na infância já assusta à tantas pessoas, imagina décadas atrás? Foi no final do século XIX que Freud divulgou seus estudos, contrapondo a visão da sociedade de que a criança é um ser “puro” e “inocente”, totalmente assexuadas.

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Portanto, fica evidente que Freud causou grande espanto. Contudo, conseguiu abrir espaço para desenvolver esse campo de estudo nos anos seguintes. Por ser o primeiro, alguns pontos foram contestados por outros pesquisadores. No entanto, o desenvolvimento de uma teoria por seguidores não é nenhum surpresa. É um encaminhamento óbvio da ciência.

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A inveja do pênis

O filósofo Foucault questionava as evidências nas quais outros filósofos se baseavam em suas teorias. Um desses questionamentos são aplicados a Freud. Assim, com base em que evidência ele poderia dizer que a inveja do pênis existe? Essa evidência seria real?

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Esse filósofo questionava muito sobre a construção do saber e esse questionamento foi aplicado a Freud. Uma de suas perguntas a respeito tinha relação com a formulação da inveja do pênis. Não seria, na época, uma manutenção dos discursos de poder?

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De acordo com o teórico, a verdade e o poder estão interligados. Assim, quem está no poder, detém a verdade e destrói evidências contrárias. Freud estava em um sistema social em que o poder era patriarcal. Visto que a maioria dos estudiosos, profissionais, pesquisadores e políticos eram homens, as evidências de Freud não eram o suficiente para convencer todos os seus seguidores e sucessores.

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Conceitos de masculino e feminino

A semiótica é uma ciência que também nos faz questionar sobre a construção do que é masculino e feminino. A sociedade está se desenvolvendo há muitos anos, e, com ela, conceitos foram formulados do que significa masculinidade e feminilidade.

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De acordo com Freud, em uma das fases o individuo começa a desenvolver sua identidade sexual, expressando traços de feminilidade ou masculinidade. Contudo, até que ponto isso é instintivo do ser humano? E até que ponto as crianças estão reproduzindo os significados que aprenderam sobre masculinidade e feminilidade?

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Ao nascer, o sexo biológico já determina um conjunto de significados. A começar pela cor, que diferencia o gênero do bebê. As brincadeiras também são determinantes para ensinar esses conceitos. Por isso, muitos questionaram esse aspecto, já que não se pode dizer que essa expressão de masculinidade e feminilidade é algo natural e intrínseco. Existe interferência social.

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Sexualidade humana

Muito se fala sobre esse tema e a preocupação dos pais com “conteúdos impróprios” para suas crianças. Porém, sexualidade é algo impossível de desvincular de nossa vida. A energia sexual, chamada de libido, é uma força motora para todos os seres humanos.

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Ela está conectada com um instinto básico, que é o de reprodução e propagação da espécie. Assim como a fome que nos faz ter necessidade de comer, ou como o nosso estado de alerta em situação de perigo, a energia sexual está presente no nosso dia.

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Através dela, decidimos o que vestir, como comer, nos motivamos a cuidar da aparência, nos comunicamos com outras pessoas e muito mais. Dessa forma, é preciso ter em mente que falar de energia sexual não é, necessariamente, falar do ato sexual ou até mesmo de atração sexual consciente.

Fixação

Segundo Freud, quando a criança passa por uma das fases e possui questões não resolvidas, ela desenvolve uma fixação. Assim sendo, pode acabar sofrendo por um problema de personalidade.

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Na primeira fase, por exemplo, se a criança continua sendo amamentada quando deveria estar aprendendo a se tornar mais independente na segunda fase, alguns problemas podem decorrer. Nesse contexto, ela pode se tornar uma adulta dependente. Por outro lado, também pode desenvolver vícios relacionados a bebida, fumo e comida.

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A fixação é algo que pode persistir na vida adulta. Assim, se não for resolvida, continuará “travada” em alguns aspectos. Um exemplo claro é o das mulheres, que muitas vezes têm relações sexuais sem conseguir atingir orgasmos.

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Nesse contexto, fica claro que se crianças em geral são consideradas assexuadas, as meninas são mais ainda. Certos comportamentos aceitáveis para meninos são condenáveis em grau maior para meninas. Não é a toa que muitas se sentem tão reprimidas que são adultas com problemas de relacionamento. Trata-se de um problema social que atinge o psicológico e a vida íntima de milhares de mulheres.

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A importância da educação sexual

Existem certas coisas que crianças não estão preparadas para saber. No entanto, de acordo com a Psicanálise, há também fases que devem ser respeitadas. Assim, as crianças deveriam aprender sobre o mundo conforme as fases em que estão.

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Nesse contexto, vale lembrar que educação sexual ajuda a criança a formar uma personalidade saudável. Dessa forma, poderá lidar bem com seu próprio corpo e com as outras pessoas também. Assim, ensina que certos lugares precisam de limites e não podem ser tocados por estranhos. Agindo desta maneira, é possível estimular a criança a se desenvolver de forma saudável e até mesmo garantir que ela se livre de situações abusivas.

Vemos, portanto, que educar uma criança sexualmente não significa que ela aprendeu o que é sexo. Ao transitar de uma fase para a outra, ela, por conta própria, descobrirá o que é uma sensação boa ou não. Reprimir essa descoberta pode causar problemas de segurança e autoconfiança, por exemplo. Em casos graves, até mesmo transtornos mentais.

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Assim sendo, é importante ressaltar a importância de que pais, professores e pessoas próximas à criança tenham noção do que está acontecendo com ela. Isso, no entanto, só pode ser feito a partir de uma profissionalização em Psicanálise.

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